Paralelamente à carreira científica, Clara Pinto Correia construiu uma vasta obra literária. Entre o início da década de 1980 e 2007 publicou mais de quarenta livros, abrangendo diversos géneros. Um dos títulos mais conhecidos é o romance Adeus, princesa, inspirado no período da reforma agrária no Alentejo. Ao longo dos anos colaborou regularmente com vários órgãos de comunicação social, tendo escrito para O Jornal, para o Jornal de Letras, Artes e Ideias e para a revista Visão.
Nos anos mais recentes, assumiu publicamente dificuldades pessoais e profissionais. Numa entrevista concedida no início deste ano, relatou problemas financeiros, períodos prolongados sem trabalho e situações de grande instabilidade habitacional. Foi também nessa conversa que explicou a decisão de se mudar para Estremoz, cidade pela qual nutria um carinho especial e onde procurou uma vida mais tranquila após problemas de saúde enfrentados durante a pandemia.
A morte de Clara Pinto Correia deixa um legado marcado pela diversidade de interesses, pela irreverência intelectual e por uma presença forte no debate público. Cientista, professora, cronista e romancista, foi uma personalidade que raramente passou despercebida, deixando uma marca profunda na cultura contemporânea portuguesa
