O panorama artístico nacional despede-se de uma das suas figuras maiores com a morte de Armando Alves, aos 90 anos. O falecimento foi anunciado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, instituição à qual o pintor esteve ligado durante grande parte da sua vida, primeiro como aluno e mais tarde como professor.
Natural de Estremoz, onde nasceu em 1935, Armando Alves construiu um percurso sólido e amplamente reconhecido no campo da arte contemporânea portuguesa. A sua formação em Pintura na então Escola de Belas Artes ficou marcada por um desempenho académico de excelência, tendo concluído o curso com a classificação máxima. Esse feito consolidou desde cedo a sua reputação e abriu caminho para uma carreira pautada pelo rigor, pela experimentação e pela constante procura de novas linguagens visuais.
O artista integrou o histórico grupo Os Quatro Vintes, ao lado de Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro. Esta colaboração tornou-se um marco na renovação estética da arte portuguesa no final da década de 1950 e início dos anos 1960. O grupo destacou-se pela abordagem inovadora às formas, às cores e aos conceitos, rompendo com convenções e afirmando uma identidade moderna que projetou a arte nacional além-fronteiras. As exposições realizadas dentro e fora do país contribuíram para dar visibilidade internacional ao trabalho destes criadores.
Paralelamente ao percurso coletivo, Armando Alves desenvolveu uma obra individual consistente e singular. A sua pintura caracterizou-se pela exploração da abstração, pela atenção ao equilíbrio cromático e pela construção de composições que revelam uma reflexão profunda sobre espaço e forma. Ao longo das décadas, participou em numerosas exposições, integrou coleções públicas e privadas e foi alvo de mostras retrospetivas que reforçaram o seu estatuto no contexto da arte moderna e contemporânea em Portugal.
A ligação ao ensino constituiu outro pilar fundamental da sua trajetória. Como docente na Faculdade de Belas Artes do Porto, desempenhou um papel determinante na formação de várias gerações de artistas. O seu contributo ultrapassou a transmissão de técnicas, refletindo-se também na promoção de uma atitude crítica e experimental perante a criação artística. Muitos dos seus antigos alunos reconhecem nele uma referência ética e estética, sublinhando a importância do seu exemplo no desenvolvimento das suas próprias carreiras.
Numa nota pública, a direção da faculdade destacou não apenas o talento artístico de Armando Alves, mas também o seu compromisso com a valorização da arte portuguesa no contexto internacional. A sua obra, marcada pela coerência e pela constante reinvenção, permanece como testemunho de uma vida dedicada à criação e à partilha de conhecimento.
Com a sua partida, o meio artístico perde um dos seus nomes mais influentes. Ainda assim, o legado de Armando Alves continuará vivo nas telas que deixou, nas exposições que marcaram épocas e na memória de todos aqueles que foram tocados pela sua visão criativa.
