A semana está a decorrer com tempo maioritariamente estável em grande parte de Portugal continental, mas essa tranquilidade atmosférica será interrompida já esta quarta-feira, 18 de fevereiro, devido à aproximação de um sistema frontal associado à tempestade atlântica Pedro. Embora o centro da depressão não atinja diretamente o território nacional, a sua influência far-se-á sentir através de chuva, vento forte e até alguma neve nas zonas mais elevadas.
Nos últimos dias, a precipitação concentrou-se sobretudo no Noroeste, região mais vulnerável a fluxos húmidos provenientes do Atlântico. Em contraste, outras áreas do país têm beneficiado de períodos de sol e relativa estabilidade, graças à influência do anticiclone dos Açores. No entanto, esta proteção será temporariamente enfraquecida, abrindo caminho à passagem de uma frente ativa durante a manhã e início da tarde de quarta-feira.
A tempestade Pedro desenvolve-se no seio de uma vasta região depressionária posicionada a oeste da Europa. O seu centro deverá circular entre as Ilhas Britânicas e França, mas a frente fria associada irá estender-se para sudoeste, alcançando Portugal continental. Durante a madrugada, prevê-se um aumento progressivo da nebulosidade, especialmente no litoral Norte, com ocorrência de aguaceiros dispersos no Minho e em alguns pontos do litoral Centro.
Entre o meio da manhã e o meio da tarde, a frente deverá intensificar-se e organizar-se melhor, atravessando o território de noroeste para sudeste. Este será o período mais significativo em termos de precipitação. Os distritos do Norte e parte do Centro apresentam uma probabilidade elevada de chuva, superior a 75% em vários locais. Viana do Castelo, Braga e Porto surgem como os mais expostos, onde a precipitação poderá ser persistente e, por vezes, moderada a forte.
À medida que o sistema avança para o interior e para sul, a intensidade tenderá a diminuir. Em distritos como Vila Real e Aveiro, sobretudo nas áreas montanhosas, os acumulados poderão ser relevantes, beneficiando do efeito orográfico que potencia a condensação e a precipitação. Nas serras do Norte e Centro, a descida das temperaturas poderá permitir queda de neve nos pontos mais altos, ainda que de forma pouco expressiva.
A sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, o cenário será bastante diferente. A frente chegará mais enfraquecida, originando precipitação fraca e irregular. Em muitos locais do Alentejo e do Algarve, a chuva será escassa ou mesmo inexistente, com acumulados residuais. No Baixo Alentejo e no Algarve, a tendência aponta para manutenção de tempo relativamente estável, apesar do aumento temporário da nebulosidade.
No total, os valores de precipitação acumulada deverão variar entre 5 e pouco mais de 30 milímetros no Noroeste, especialmente nas zonas mais expostas ao fluxo atlântico e nas áreas montanhosas da chamada barreira de condensação. No restante território, os acumulados deverão situar-se geralmente abaixo dos 5 milímetros, evidenciando o caráter desigual deste episódio de chuva.
Depois da passagem da frente principal, a partir do meio da tarde, o estado do tempo deverá evoluir para um regime de aguaceiros pós-frontais, mais irregulares e intercalados com abertas. O vento poderá soprar moderado a forte nas terras altas, sobretudo nas regiões Norte e Centro, contribuindo para uma sensação térmica mais baixa.
Importa ainda referir que, no arquipélago da Madeira, a situação meteorológica é distinta. Uma intrusão de poeiras provenientes do Saara está a deixar o céu mais turvo, fenómeno que deverá atingir o seu pico no mesmo dia. Assim, enquanto o continente enfrenta chuva e vento associados à tempestade Pedro, a Madeira lida com um cenário marcado por partículas em suspensão na atmosfera.
Em suma, a quarta-feira ficará marcada por um episódio de instabilidade passageira, mais significativo no Norte e Centro, mas com impacto limitado no Sul. Após esta breve mudança, é expectável que o tempo volte a estabilizar gradualmente, devolvendo ao país condições mais típicas de um período anticiclónico de inverno.
