Família de Mónica Silva contesta absolvição e aponta incoerências no processo
A decisão judicial no caso que envolveu Fernando Valente, acusado pela morte de Mónica Silva, continua a gerar forte contestação por parte da família da vítima. A absolvição do arguido foi recebida com indignação, sobretudo entre os familiares mais próximos, que consideram que o desfecho não corresponde à gravidade das acusações apresentadas ao longo do julgamento.
Em declarações ao NDC, uma tia de Mónica Silva manifestou profunda revolta perante o resultado do processo. Para a familiar, a decisão do tribunal deixou um sentimento de injustiça e de falta de respostas, alimentando a dor que já acompanha a família desde o desaparecimento da jovem.
A mesma familiar partilhou ainda relatos sobre o impacto da situação na filha de Mónica, sublinhando que, apesar de a criança estar rodeada de apoio material, a ausência da mãe é irreparável. As palavras foram marcadas por emoção e refletem o sofrimento prolongado que a família afirma viver.
Outro ponto de crítica prende-se com o facto de Fernando Valente ter mantido contacto com a filha durante o período em que o processo decorria. Para os familiares, esta convivência é difícil de compreender face à gravidade das suspeitas que recaíam sobre ele.
No que diz respeito à decisão judicial, a tia da vítima considera que existiam elementos suficientes para uma condenação. Segundo afirmou, as provas apresentadas ao longo da investigação seriam, no entender da família, mais do que suficientes para justificar a aplicação da pena máxima.
A familiar também referiu alegadas contradições nos depoimentos e nas diligências realizadas. Entre os exemplos apontados, mencionou episódios relacionados com ecografias e outros detalhes do relacionamento entre o arguido e a vítima, que, na sua perspetiva, não terão sido devidamente esclarecidos em tribunal.
De acordo com os relatos, Mónica Silva e Fernando Valente mantiveram uma relação durante mais de um ano. Ainda que reconheça que existiam sentimentos, a família insiste que há aspetos da dinâmica do casal que continuam por explicar.
O caso tem suscitado ampla cobertura mediática e reacendido o debate público sobre o funcionamento da justiça em Portugal. A absolvição dividiu opiniões, com alguns a defenderem o princípio da presunção de inocência e outros a questionarem a avaliação das provas.
Entre amigos e familiares da vítima, prevalece a ideia de que o processo deixou lacunas. A exigência de maior transparência e rigor na investigação de crimes graves tem sido uma das mensagens mais repetidas nas intervenções públicas.
Enquanto o caso continua a ser discutido, a família de Mónica Silva garante que não deixará cair o tema. Para eles, mais do que um desfecho judicial, está em causa a memória da jovem e a necessidade de respostas claras sobre o que aconteceu.
