Recentemente, Nuno abriu o coração para falar sobre uma das experiências mais marcantes e dolorosas da sua vida: a morte da irmã, vítima de um acidente trágico quando tinha apenas 32 anos. Jovem, cheia de energia e com inúmeros sonhos ainda por concretizar, a sua partida foi um golpe inesperado que abalou profundamente toda a família.
A perda aconteceu de forma abrupta, sem tempo para despedidas ou preparação emocional. De um momento para o outro, a rotina transformou-se em silêncio, incredulidade e uma dor difícil de traduzir em palavras. Para Nuno, não foi apenas a ausência física que pesou, mas tudo aquilo que ficou por viver — os planos interrompidos, as conversas adiadas, os momentos que jamais aconteceriam.
Com o passar dos anos, a ferida não desapareceu. A dor muda de forma, mas não deixa de existir. Torna-se mais silenciosa, menos visível aos olhos dos outros, mas permanece viva no interior de quem sente. Nuno admite que há datas e situações que reacendem a saudade com maior intensidade: aniversários, celebrações familiares ou conquistas importantes que gostaria de partilhar com a irmã.
Aprender a viver com essa ausência foi um processo longo e exigente. O luto não segue um calendário definido, nem respeita expectativas externas. Houve momentos de revolta, de questionamento e de profunda tristeza. Mas também houve espaço para reflexão e crescimento pessoal. A perda obrigou-o a olhar para a vida com outra perspetiva, valorizando o presente e as pessoas que o rodeiam.
Segundo o próprio, a dor transformou-se, com o tempo, numa força silenciosa. Não no sentido de apagar o sofrimento, mas de o integrar na sua história. Crescer à força é uma expressão que utiliza frequentemente para descrever essa fase: amadurecer através da adversidade, aprender a aceitar o que não pode ser mudado e encontrar sentido mesmo nas circunstâncias mais difíceis.
No percurso profissional, Nuno reconhece que essa experiência moldou a sua forma de encarar desafios. A determinação com que constrói novos projetos e enfrenta obstáculos está, de certa forma, ligada à memória da irmã. Cada conquista carrega um significado mais profundo, como se fosse também uma homenagem discreta àquela que partiu cedo demais.
A família encontrou maneiras próprias de manter viva a presença dela. Recordações partilhadas, fotografias guardadas com carinho e histórias contadas em encontros familiares ajudam a preservar a sua essência. Porque, embora a ausência física seja definitiva, o amor não desaparece. Ele transforma-se em memória, em ensinamentos e em inspiração.
Nuno acredita que quem parte não deixa de existir nas vidas que tocou. A irmã continua presente nas escolhas que faz, nos valores que defende e na forma como encara o mundo. A dor da perda nunca é completamente superada, mas pode ser ressignificada.
Hoje, ao falar sobre o assunto, fá-lo com emoção, mas também com serenidade. A saudade permanece, constante e silenciosa, mas já não paralisa. Tornou-se parte da sua identidade e da sua história. Entre lágrimas contidas e palavras ponderadas, Nuno demonstra que é possível seguir em frente sem esquecer — transformando a ausência em força e o amor em memória eterna.
