Portugal prepara-se para viver dias de forte contraste térmico, com condições típicas de primavera durante as tardes, mas madrugadas ainda marcadas por frio acentuado, sobretudo nas regiões do interior. Até terça-feira, deverá manter-se maioritariamente limpo em grande parte do território, permitindo a subida das temperaturas máximas para valores acima dos 20 °C em várias zonas do país.
Apesar do ambiente ameno ao longo do dia, as noites continuam frias. Em muitos locais, os termómetros deverão descer para valores próximos ou inferiores a 5 °C, criando uma amplitude térmica significativa entre o período diurno e noturno. Esta diferença acentuada obriga a cuidados redobrados, especialmente para quem sai de casa cedo ou regressa já depois do pôr do sol.
No interior norte, o frio fará sentir-se com maior intensidade. Estão previstas temperaturas negativas em Miranda do Douro e valores muito baixos em cidades como Bragança e Guarda, onde as madrugadas poderão ser particularmente rigorosas. Já nas regiões do centro e sul, o cenário é distinto, com máximas bem mais elevadas.
Distritos como Leiria e Santarém poderão registar temperaturas próximas dos 24 °C em alguns concelhos, proporcionando tardes limpas e clima bastante agradável. Este contraste entre o interior e o litoral evidencia as diferenças típicas desta época do ano, em que a estabilidade atmosférica favorece grandes variações térmicas.
Contudo, a partir de terça-feira, o panorama meteorológico deverá sofrer alterações. Está previsto o regresso da instabilidade, acompanhado pela chegada de poeiras provenientes do Deserto do Saara. Estas partículas deverão atingir primeiro o arquipélago da Madeira e, posteriormente, avançar para o continente.
A presença de poeiras em suspensão poderá tornar o clima mais enevoado e provocar uma degradação temporária da qualidade do ar, sobretudo na região norte. As autoridades recomendam especial atenção aos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares.
Entre as principais recomendações estão a redução de atividades físicas ao ar livre, o reforço da hidratação e a permanência em espaços interiores sempre que possível durante os períodos de maior concentração de partículas. Este tipo de fenómeno é relativamente frequente, mas pode causar desconforto e agravar sintomas em pessoas mais sensíveis.
Este novo episódio surge poucas semanas depois da depressão que provocou cheias e danos significativos em várias regiões do país. Desde então, a situação hidrológica tem vindo a melhorar gradualmente, com a descida do nível do rio Tejo em diferentes pontos, ainda que persistam algumas áreas inundadas nas zonas mais baixas da lezíria.
De acordo com as autoridades de proteção civil, o plano especial ativado devido às cheias foi entretanto reduzido para um nível menos gravoso, refletindo a evolução favorável das condições. A monitorização mantém-se ativa, mas com menor frequência, sinal de que o cenário caminha progressivamente para a normalidade.
Assim, Portugal enfrenta dias de sol e temperaturas convidativas, seguidos de um período de maior instabilidade e poeiras atmosféricas. A alternância reforça a natureza variável do clima nesta fase de transição entre o inverno e a primavera, exigindo atenção constante às atualizações meteorológicas e às recomendações das autoridades.
