Faleceu aos 65 anos Clara Pinto Correia, escritora, bióloga e professora universitária, uma figura marcante da cultura e da ciência em Portugal. A informação foi confirmada por fonte editorial, sendo que, segundo foi noticiado, Clara Pinto Correia foi encontrada sem vida na sua residência, em Estremoz, na manhã desta terça-feira. A notícia gerou uma onda de consternação no meio académico, literário e entre leitores que acompanharam o seu percurso ao longo de várias décadas.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu publicamente à morte da escritora, endereçando à família e aos amigos uma mensagem de pesar. Na nota divulgada, destacou a personalidade singular de Clara Pinto Correia, sublinhando a sua vitalidade, inteligência e a forma intensa como comunicava, tanto na escrita como na intervenção pública. Para o chefe de Estado, a sua ausência deixa um vazio partilhado por muitos.
Clara Pinto Correia nasceu no seio de uma família ligada à vida intelectual e científica. Era filha de José Manuel Pinto Correia, médico e professor universitário, distinguido como Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e irmã da jornalista Margarida Pinto Correia. O seu percurso académico começou na Universidade de Lisboa, onde concluiu a licenciatura em Biologia em 1984. No ano seguinte iniciou a carreira docente na Faculdade de Medicina da mesma universidade, como assistente estagiária nas áreas de Biologia Celular, Histologia e Embriologia.
Em finais da década de 1980, rumou aos Estados Unidos para aprofundar a sua formação. Desenvolveu investigação académica na Universidade de Nova Iorque e concluiu o doutoramento em Biologia Celular, grau que lhe foi oficialmente atribuído em 1992 pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto. Após esse período, regressou a Portugal, onde teve um papel fundamental na criação e consolidação de cursos ligados à área da biologia, destacando-se a fundação da licenciatura em Biologia e do mestrado em Biologia do Desenvolvimento na Universidade Lusófona.
Paralelamente à carreira científica, Clara Pinto Correia construiu uma vasta obra literária. Entre o início da década de 1980 e 2007 publicou mais de quarenta livros, abrangendo diversos géneros. Um dos títulos mais conhecidos é o romance Adeus, princesa, inspirado no período da reforma agrária no Alentejo. Ao longo dos anos colaborou regularmente com vários órgãos de comunicação social, tendo escrito para O Jornal, para o Jornal de Letras, Artes e Ideias e para a revista Visão.
Nos anos mais recentes, assumiu publicamente dificuldades pessoais e profissionais. Numa entrevista concedida no início deste ano, relatou problemas financeiros, períodos prolongados sem trabalho e situações de grande instabilidade habitacional. Foi também nessa conversa que explicou a decisão de se mudar para Estremoz, cidade pela qual nutria um carinho especial e onde procurou uma vida mais tranquila após problemas de saúde enfrentados durante a pandemia.
A morte de Clara Pinto Correia deixa um legado marcado pela diversidade de interesses, pela irreverência intelectual e por uma presença forte no debate público. Cientista, professora, cronista e romancista, foi uma personalidade que raramente passou despercebida, deixando uma marca profunda na cultura contemporânea portuguesa
